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Você conhece o Projeto Genoma?

Ao longo dos últimos anos, ouvimos cada vez mais sobre genética e seu impacto em nossas vidas. Desde que as “leis de Mendel” ganharam visibilidade, temos consciência de que os mecanismos genéticos são a base da hereditariedade e da individualidade de cada ser vivo. No entanto, estudos mais recentes vêm nos apresentando uma nova perspectiva sobre o assunto, e o avanço das tecnologias na área da biologia molecular tem tornado exames de sequenciamento genético, por exemplo, cada vez mais acessíveis

O conhecimento sobre a forma como nosso DNA está organizado, e como as informações presentes  nele impactam nosso organismo, foi essencial para que a nova era da genética e medicina personalizada pudessem emergir com tanto impacto. E dentro desse cenário, o Projeto Genoma pode ser considerado como um dos principais marcos da história da biologia molecular, tendo contribuído imensamente para decifrar as informações contidas no material genético humano e de muitas outras espécies.

Presente nas células dos seres vivos, “genoma” é o conjunto de informações genéticas único de uma espécie. Por exemplo, nós, seres humanos, possuímos 23 pares de cromossomos, que são constituídos por diferentes genes, que contêm informações essenciais para o desenvolvimento e funcionamento de nosso organismo.  Graças à existência de um código genético, grande parte dessas informações serve como base para a produção de  proteínas, que interagem entre si e com outras moléculas, desencadeando uma infinidade de reações químicas – que, em última instância, constituem o que somos.. Além dos genes, os cromossomos também apresentam regiões intergênicas, que durante um longo período foram chamadas de “DNA lixo”, mas cuja importância vem sendo elucidada nos últimos tempos.

Antes do Projeto Genoma, o código genético já era conhecido, mas os cientistas não tinham conhecimento de como o DNA estava “escrito” dentro de cada cromossomo. É como se eles já soubessem como traduzir um livro, mas o livro estivesse com muitas páginas faltando, fazendo com que o resultado da tradução não fizesse muito sentido.

Tudo mudou quando vários países decidiram se unir com um objetivo em comum: desvendar os segredos do genoma. Foi nesse momento que nasceu o projeto, que inicialmente tinha como finalidade sequenciar o DNA de diversos organismos, sejam eles de origem vegetal, animal, fúngica, bacteriana ou viral, tudo isso por meio de um trabalho de mapeamento dos genes.

Conforme o andamento das pesquisas, várias áreas da ciência foram evoluindo, possibilitando que os cientistas pudessem dar um foco maior ao nosso próprio genoma, iniciando assim o Projeto Genoma Humano (PGH), sendo um marco para o surgimento de uma série de informações que abriram portas para o entendimento de várias doenças, assim como seu tratamento e prevenção, além do autoconhecimento a partir do seu DNA.

O Projeto Genoma Humano

Foi em 1990 que o Genoma Humano virou o protagonista no projeto de sequenciamento do DNA. Naquela época, eram mais de 5 mil cientistas com esse propósito, vindo de países e laboratórios diferente, trabalhando juntos durante anos para lançar uma prévia de todas as suas análises em 1999. Embora o rascunho já existisse, foram necessárias diversas revisões e análises para garantir a precisão das informações que seriam tornadas públicas. Então, no início do século XXI, em 2001, foi publicado um artigo anunciando que 90% do genoma humano já estava sequenciado. Pouco tempo depois, em 2003, o projeto foi concluído com 99,99% de precisão e um total de 3 bilhões de pares de bases decifradas.

O fim do projeto e a divulgação de seus resultados para a comunidade científica constituíram um passo de grande importância para a interpretação do DNA humano, facilitando a análise e o entendimento de diversas doenças genéticas, o desenvolvimento de medicamentos mais funcionais, e o surgimento de uma vasta gama de novos projetos na área da genética.

Além dos avanços na área da biologia molecular, o grandioso projeto também trouxe importantes desafios, que surgiram durante o desenvolvimento das pesquisas e após suas publicações, como o constante questionamento sobre a privacidade dos dados e das amostras que foram utilizadas, questões éticas que poderiam envolver o uso desses dados, a honestidade das informações que seriam disponibilizadas, entre outros aspectos clínicos, comerciais e reprodutivos. Apesar das adversidades, as soluções encontradas para lidar com tais questões tornaram-se um modelo para programas de bioética no mundo inteiro, constituindo também um importante legado deixado pelo projeto.

Referências

1- Arquivo de informações do Projeto Genoma Humano – site em inglês. Disponível em: https://web.ornl.gov/sci/techresources/Human_Genome/project/index.shtml

2- FAQ Projeto Genoma Humano – site em inglês. Disponível em: https://www.genome.gov/human-genome-project/Completion-FAQ

Sobre o autor:Grupo Genera

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