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Mapeamento das variantes genéticas que aumentam o risco de depressão pode ajudar a desenvolver novos tratamentos

A depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Pessoas que sofrem desta condição costumam apresentar perda de apetite,  concentração e energia, bem como alterações de humor, do sono e em seus relacionamentos. Dentre os indivíduos com depressão grave, 3% cometem tentativas de suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a maior causa de debilitação no mundo, causando uma perda aproximada de 1 trilhão de dólares na economia global. Os cientistas esperam compreender porque algumas pessoas são afetadas por esta condição enquanto outras não são, mesmo quando submetidas a experiências de vida similares.

A maior investigação sobre o impacto do DNA em uma doença psiquiátrica, realizada por um grupo internacional de 200 pesquisadores, identificou ao menos 44 variantes genéticas que elevam o risco para o desenvolvimento de depressão. Um indivíduo que possui um menor componente genético para o estabelecimento da condição pode se mostrar mais resistente aos estresses do cotidiano, enquanto pessoas com variantes genéticas de maior predisposição são até 2,5 vezes mais propensas à depressão.

O estudo, publicado na Nature, revelou uma grande sobreposição entre os genes relacionados à depressão e a outras desordens mentais, como transtorno bipolar, ansiedade e esquizofrenia e também em relação à predisposição para a obesidade. A maioria dos genes pesquisados desempenha funções relativas ao funcionamento e sinalização das células neuronais, especialmente no córtex pré-frontal e córtex cingulado anterior, regiões cerebrais mais relevantes nos casos de depressão.

As variantes mapeadas no estudo representam apenas uma pequena fração do total, já que milhares de genes podem contribuir para a condição, exercendo pequenos efeitos, ainda não conhecidos, no grau de risco individual. Pesquisas anteriores realizadas com gêmeos sugerem que a genética compreende 40% dos fatores que induzem ao surgimento da depressão, sendo os demais fatores outros mecanismos biológicos e experiências vivenciadas.

Grandes companhias farmacêuticas atualmente investem grandes quantias em pesquisas para o desenvolvimento de uma nova geração de antidepressivos, já que os tratamentos existentes proporcionam melhorias em apenas 50% dos casos. Algumas das variantes genéticas mapeadas no estudo têm relação com a serotonina, uma das principais moléculas com as quais os medicamentos atuam, porém outras variantes apontam para diferentes mecanismos biológicos, que podem se tornar alvos de novos antidepressivos mais eficientes.

Artigo traduzido de: https://www.theguardian.com/science/2018/apr/26/gene-map-for-depression-sparks-hopes-of-new-generation-of-treatments

Sobre o autor:Grupo Genera

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