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Imagem de lisa runnels por Pixabay

Impactos da ausência do pai na infância

A importância da figura paterna e o teste de paternidade como um recurso para garantir a responsabilidade do pai biológico.

A presença do pai biológico ou de uma figura paterna ao longo da infância é tão importante quanto o papel da mãe, pois são eles – pai e mãe – quem estabelecem com a criança o primeiro vínculo emocional. Estudos apontam que crianças sem convívio com a figura paterna podem, na fase adulta, apresentar algum tipo de prejuízo no desenvolvimento social, cognitivo ou até mesmo emocional. E como já vimos anteriormente neste texto, esse é infelizmente o cenário de milhares de brasileiros que crescem e não são registrados por seus pais biológicos.

Para entender melhor como esse efeito social se estabelece, temos que compreender que os padrões de interação de pais com seus filhos variam de cultura para cultura. Em Bali, por exemplo, a relação com os filhos é moldada pela crença de que os bebês são como ancestrais renascidos ou deuses que vieram à forma humana, aos quais se deve máxima dignidade e respeito. 

Já entre os Gussi, no Quênia, a alta mortalidade infantil  faz com que os pais mantenham seus filhos o mais próximo possível de si, respondendo rapidamente quando choram. Os agricultores Ngandu da região da África Central, no entanto, tendem a viver mais separados, deixando seus bebês sozinhos, permitindo que chorem e façam estardalhaços, ou que brinquem por conta própria.

Na Mongólia, província da China, os pais são responsáveis pelo sustento da família, enquanto as mães assumem os cuidados com as crianças. Desse modo os pais quase nunca seguram seus filhos no colo, interagindo mais com eles quando já estão andando. Já os Aka, da África Central, são um povo em que o pai dá mais atenção ao bebê em comparação a outras culturas, já que homem e mulher contribuem igualmente para as tarefas diárias e atividades de sobrevivência.

Tendo em vista que os padrões de interação com as crianças são frutos de cada contexto sociocultural em que o indivíduo está inserido, é possível notar que os papéis sociais dos pais e das mães mudam em cada grupo, moldando o indivíduo e sua personalidade. De qualquer forma, o papel da paternidade é uma construção social, a partir de um desejo consciente do pai da criança em ser participativo. 

Estudos apontam que as crianças que possuem contato com o pai desde bebê tendem a desenvolver maior habilidade social, interagindo em um grupo que não conhecem com mais segurança, pois as orientações seguras do pai geram um sentimento de confiança e independência. Outro ponto importante no papel da figura paterna está ligado à formação de caráter e construção das noções de “certo” e “errado”.

A figura paterna possui importante relação com o desenvolvimento humano

Dessa forma, é de grande importância que o pai e a mãe consigam estabelecer juntos uma base estrutural para a criança, ainda que não constituam um casal. Com ambos desempenhando seus devidos papéis sociais e colaborando nas decisões importantes para a educação dos filhos, há mais condições para um desenvolvimento saudável, o que contribui para que o indivíduo possa alcançar maturidade e felicidade na fase adulta.

Casos de rejeição ou ausência do pai biológico podem converter-se em um sentimento de inferioridade que pode, inclusive, resultar no desenvolvimento de ansiedade. Isso não significa, porém, que pessoas que crescem na ausência de seus pais biológicos não possam se desenvolver de maneira saudável. Nessas situações, inclusive, esse papel pode ser assumido por outras pessoas que tenham a mesma representação, ou seja, que promovam uma sensação de segurança e referência – por exemplo, o irmão da mãe, o avô da criança ou até mesmo outro adulto que esteja inserido no mesmo círculo familiar. No entanto, é importante ressaltar que assumir a criação dos filhos é responsabilidade primária do pai biológico. 

A ausência paterna pode ocorrer em diversos cenários, alguns deles inevitáveis, como no caso de falecimento do pai. Há circunstâncias, no entanto, em que pais ausentes justificam a situação alegando que não possuem certeza da paternidade biológica. Vale ressaltar, porém, que exames de paternidade têm se tornado cada vez mais acessíveis, e um procedimento simples de coleta de sangue ou saliva pode sanar essa dúvida e impedir que a ausência de certeza prive o filho do importante convívio com o pai biológico.

Assim, o exame de paternidade pode ser de grande relevância nessas situações, como forma de garantir a responsabilidade do pai na criação do filho, clarear qualquer tipo de dúvida e, principalmente, permitir que um indivíduo seja criado em meio a uma base familiar estruturada, o que tem o potencial de trazer impactos biopsicossociais positivos ao longo de todo o seu desenvolvimento.

Referências:

  1. https://emais.estadao.com.br/blogs/educar-para-a-felicidade/a-importancia-do-pai-no-desenvolvimento-dos-filhos/ – Acesso: 21 de agosto de 2019
  2. https://br.mundopsicologos.com/artigos/o-papel-do-pai-no-desenvolvimento-dos-filhos Acesso: 21 de agosto de 2019
  3. https://paisefilhos.uol.com.br/pais/pai-seu-papel-e-muito-importante-no-desenvolvimento-de-seus-filhos/ Acesso: 21 de agosto de 2019
  4. Feldman,R; Martorell,G; Papalia, D. Desenvolvimento humano – 12ed. Porto Alegre: Editor AMGH,2013. P: 217 – 219

Sobre o autor:Grupo Genera

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